Sobre estar junto


Um casal caminhava por uma trilha em uma floresta. Em um determinado ponto eles param e se inicia um diálogo:

- Vamos por ali?
- Como por ali?
- Sim, vamos seguir por aquela trilha, parece ser muito bonita!
- Amor... Ali não tem trilha nenhuma, só um barranco e... um abismo!
- Barranco? Abismo?

O rapaz via uma bifurcação porém a moça via somente uma curva para a esquerda e onde ele apontava a trilha ela via apenas um barranco e um abismo.

Nesta estória não importa ser ele homem ou ela mulher. Poderia ser que ela visse a trilha e ele não. Não acontece por ser ele homem ou mulher. É uma estória sobre estar junto e acontece todos os dias.

Gosto desta imagem como um modelo que nos permite refletir um pouco sobre o modo como vivemos com os outros diante da realidade e da verdade. O abismo pode ser uma ilusão, a estrada pode ser uma ilusão, ou pode ser que ali não exista nem abismo nem estrada mas outra coisa qualquer e os dois estejam iludidos. Finalmente pode ser que os dois estejam certos mesmo que isto esteja fora de nosso entendimento e compreensao.

Acredito que somos seres limitados e nao podemos conhecer toda a verdade da realidade de tudo que nos cerca. Porem podemos nos aproximar bastante da verdade e podemos compartilhar o que sentimos e o que percebemos desde que facamos a escolha de seguirmos juntos e que utilizemos de nossos melhores esforcos para desfazer as ilusoes e buscar a verdade.

Talvez não importe muito as escolhas ou o que vai acontecer depois delas mas o modo como passamos por estas encruzilhadas e como seguimos a jornada.

Tristes horas

É muito triste o momento de nos apartarmos de quem gostamos e com quem passamos bons e mesmo maus momentos mas com quem não podemos mais estar.

Uma pessoa se despede, me deseja boa sorte e parte.


Grande é a vontade de chamar de volta, segurar, manter, evitar ou mudar algo. Grande desejo de tentar mais uma vez... Vontade de interromper o inevitável.


Porém há um tempo para tudo. Houve o tempo de ser, estar, buscar, fazer, rever e tentar de novo. Houve o tempo de plantar, de cuidar e de colher.

Agora é o tempo da partida: triste hora da contemplação e do luto.